A
opinião de dois proeminentes letrados da Língua Portuguesa sobre a
norma culta existente é o tema abordado neste texto: Marcos Bagno e
Evanildo Bechara versam acerca da problemática de sua aplicação na
educação e na sociedade como um todo. O conceito de ambos, do
critério de inspiração para a criação da norma culta, parece ser
o mesmo: ela (a inspiração) advém dos grandes literatos clássicos.
E, segundo o texto de cada um dos autores citados acima, a
linguística e a gramática são distinta e amplamente defendidas.
Ao
julgar pelo raciocínio de Bagno, que faz uma feroz crítica aos
companheiros da área (especialmente Bechara), mas acaba idealizando
uma solução parecida ao deles, pode-se dizer que ninguém é
perfeito em sua fala, ou seja, não há ser humano com o domínio
pleno da língua. Ele ataca o conceito de “norma
culta”,
mais especificamente o adjetivo, pois este deixara muitos linguístas
em dúvida ao discorrer sobre o tema, uma vez que ela, a norma culta,
está intimamente ligada aos possuidores de forte influência social
e econômica, que impõem às camadas mais baixas este dogma, mas nem
mesmo eles sabem usá-la.
A
solução proposta por Bagno, segundo seu texto, se baseia em moldar
a capacidade de leitura dos alunos, fazendo-os ler e produzir textos,
e diminuir a gramática normativa imposta a eles. Pode até surtir
algum efeito, porém um texto pode ser o resultado dos pensamentos e
estes também podem ser expressados através da fala; significa dizer
que a língua tem duas vias de escape: a fala e a escrita; pode uma
pessoa progredir, se policiando apenas por uma destas formas, como
sugere o grande Marcos Bagno? É possível que não.
Já
Evanildo Bechara
enfatiza a norma culta no aspecto de correção de linguagem, ligada
à democratização do ensino. Ele aponta critérios vinculados à
correção, vindos do linguísta sueco Adolf Noreen e também de Otto
Jespersen, como, por exemplo, o fato da norma se valer fortemente da
influência de críticos literários do passado: muitas vezes esses
autores renomados não levam em conta a norma culta adotada e, mesmo
assim, são postos a níveis altíssimos na sociedade do seu país de
origem.
Conclui
Bechara que o ensino da língua deve ser sistemático e devem se
respeitar suas múltiplas faces; um modo de falar para cada ocasião
que assim o pedir, adequando o falante a qualquer ambiente social.
Porém, apenas isso não é o bastante.
Pode
ser que as duas soluções apresentadas pelos acadêmicos acima,
juntas, realizem um efeito positivo no aprendizado da língua
enquanto culta. O que não pode é homogeneizar e transformar a
cultura de nossa língua, segregando-a da língua popular. A forma de
se comunicar não precisa ser necessariamente “bela ao extremo”
para transmitir a mensagem; a idéia a ser passada é que tem de ser
clara, e assim, tanto um quanto o outro deve unir esforços para
aprender e adequar seu “mundo linguístico” nesta sociedade de
maravilhosa pluralidade lingual.
By Sérgio Pecli ;)
Bibliografias:
BECHARA, Evanildo.Moderna Gramática Brasileira;
BAGNO,Marcos.A Norma Oculta.


