Outra
O vento me secou todos os batões
Usei diversas quantidades de cores
Infinitos e dulcílimos tons
Mas você não quis tirar
Como se me fizesse favores
Num sopro levou meu sonho no ar
E usei os mais finos perfumes
Tentei suscitar em meu ser
Qualquer sentimento, talvez o ciúme
Mas você soube se conter
Como nem um outro apaixonado faria
Pois seu amor no mais alto cume
Calava-se num silêncio impune
Amava loucamente outra Maria.
Lembrança
Eu lembro bem do seu sorriso
Da luz que seus olhos irradiava
Vinda de um longínquo infinito
E eu que bebia os delírios
De tudo que você sonhava
Com propósito me derramava
Como a pureza dos lírios
Nem as mais puras flores aladas
Exalam o aroma das baladas
De lágrimas que embebem meus cílios
Eu lembro bem porque calada
Quis demasiados os mimos
Ser enfim sua adorada
Beijar e amar e não fi-los.
Os dois extremos de uma língua... Literatura e Gramática. A gramática, ordeira e imperativa, não deixa passar uma vírgula, ou a coloca em seu devido lugar; A literatura, sem se importar com a gramática algumas vezes, nos abrilhanta com seu sentido cativante e diferente , reescrevendo a língua, enfeitando-a com emoções e distorções, tão informais quanto vivas de paixão.
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