segunda-feira, 23 de abril de 2012

Norma culta ou (oculta)?



A opinião de dois proeminentes letrados da Língua Portuguesa sobre a norma culta existente é o tema abordado neste texto: Marcos Bagno e Evanildo Bechara versam acerca da problemática de sua aplicação na educação e na sociedade como um todo. O conceito de ambos, do critério de inspiração para a criação da norma culta, parece ser o mesmo: ela (a inspiração) advém dos grandes literatos clássicos. E, segundo o texto de cada um dos autores citados acima, a linguística e a gramática são distinta e amplamente defendidas.

Ao julgar pelo raciocínio de Bagno, que faz uma feroz crítica aos companheiros da área (especialmente Bechara), mas acaba idealizando uma solução parecida ao deles, pode-se dizer que ninguém é perfeito em sua fala, ou seja, não há ser humano com o domínio pleno da língua. Ele ataca o conceito de “norma culta”, mais especificamente o adjetivo, pois este deixara muitos linguístas em dúvida ao discorrer sobre o tema, uma vez que ela, a norma culta, está intimamente ligada aos possuidores de forte influência social e econômica, que impõem às camadas mais baixas este dogma, mas nem mesmo eles sabem usá-la.

A solução proposta por Bagno, segundo seu texto, se baseia em moldar a capacidade de leitura dos alunos, fazendo-os ler e produzir textos, e diminuir a gramática normativa imposta a eles. Pode até surtir algum efeito, porém um texto pode ser o resultado dos pensamentos e estes também podem ser expressados através da fala; significa dizer que a língua tem duas vias de escape: a fala e a escrita; pode uma pessoa progredir, se policiando apenas por uma destas formas, como sugere o grande Marcos Bagno? É possível que não.

Já Evanildo Bechara enfatiza a norma culta no aspecto de correção de linguagem, ligada à democratização do ensino. Ele aponta critérios vinculados à correção, vindos do linguísta sueco Adolf Noreen e também de Otto Jespersen, como, por exemplo, o fato da norma se valer fortemente da influência de críticos literários do passado: muitas vezes esses autores renomados não levam em conta a norma culta adotada e, mesmo assim, são postos a níveis altíssimos na sociedade do seu país de origem.
Conclui Bechara que o ensino da língua deve ser sistemático e devem se respeitar suas múltiplas faces; um modo de falar para cada ocasião que assim o pedir, adequando o falante a qualquer ambiente social. Porém, apenas isso não é o bastante.

Pode ser que as duas soluções apresentadas pelos acadêmicos acima, juntas, realizem um efeito positivo no aprendizado da língua enquanto culta. O que não pode é homogeneizar e transformar a cultura de nossa língua, segregando-a da língua popular. A forma de se comunicar não precisa ser necessariamente “bela ao extremo” para transmitir a mensagem; a idéia a ser passada é que tem de ser clara, e assim, tanto um quanto o outro deve unir esforços para aprender e adequar seu “mundo linguístico” nesta sociedade de maravilhosa pluralidade lingual.    
                    By Sérgio Pecli  ;)

Bibliografias: 
BECHARA, Evanildo.Moderna Gramática Brasileira;
BAGNO,Marcos.A Norma Oculta.